Ementa

Este dossiê propõe problematizar a organização do currículo quando orientada por princípios de inclusão, partindo da seguinte questão central: como se organiza um currículo que reconheça e incorpore os princípios da inclusão? A partir dessa indagação, busca-se explorar duas dimensões fundamentais: as políticas educacionais e as práticas pedagógicas.

Parte-se do pressuposto de que o currículo não é neutro nem estático; ao contrário, constitui-se como um campo em permanente movimento e disputa. Nessa perspectiva, compreende-se o currículo como um “projeto de espaços e tempos subjetivos, articulados a espaços e tempos sociais, vinculados aos sujeitos e aos seus modos de conversação” (Pacheco, 2009, p. 398).

Nesse contexto, interessa compreender de que modo as políticas públicas educacionais têm buscado viabilizar a construção de currículos inclusivos. Considera-se, contudo, que tais políticas são continuamente reinterpretadas, reconfiguradas e ressignificadas no contexto das práticas (Ball, 2001).

Emergem, assim, diferentes questões: de que maneira a formação inicial e continuada de professores pode contribuir para (re)pensar o currículo em perspectiva inclusiva? Como as políticas curriculares têm favorecido (ou não) a inclusão nos contextos da Educação Básica e da Educação Superior?

Assim, busca-se conhecer experiências pedagógicas e institucionais que tenham sido desenvolvidas com o propósito de efetivar princípios de inclusão na organização curricular. Espera-se reunir contribuições capazes de evidenciar tensões, desafios e possibilidades na elaboração, implementação e avaliação de currículos comprometidos com a diversidade de estudantes, seus territórios e suas formas de participação na vida escolar e universitária.

Serão bem-vindos trabalhos que abordem, entre outros temas:

  • conceitos e princípios orientadores de um currículo inclusivo;
  • processos de (re)configuração curricular em perspectiva inclusiva;
  • adaptações curriculares, flexibilização de conteúdos e avaliação inclusiva;
  • relações entre diferença, equidade e justiça social no desenho curricular;
  • formação inicial e continuada de professores para a implementação de currículos inclusivos;
  • papel das políticas educacionais e dos processos de regulação na promoção da inclusão;
  • uso de tecnologias, recursos educacionais e soluções de acessibilidade no currículo.

Organização: Daniel Johnson Mardones (Universidad de Chile, Chile); Ivan Fortunato (Instituto Federal de São Paulo, Brasil), Over Camilo Ortegón Vega (Universidad Católica de Manizales, Colombia), Shirlei S. Correa (Universidade Alto Vale do Rio do Peixe, Brasil).

Normas: https://www.eduser.ipb.pt/index.php/eduser/about/submissions Template: https://cloud.ipb.pt/f/1e34a74b137a49c5a867/?dl=1

Prazo: 27 de junho de 2026

Dúvidas e envio: dossiepraticascurriculares2026@gmail.com  

 

Referências

BALL, Stephen J. Diretrizes políticas globais e relações políticas locais em educação. Currículo sem fronteiras, v. 1, n. 2, p. 99-116, 2001. https://www.curriculosemfronteiras.org/vol1iss2articles/ball.pdf

PACHECO, José Augusto. Currículo: entre teorias e métodos. Cadernos de Pesquisa, v. 39, n. 137, p. 383-400, 2009. https://doi.org/10.1590/S0100-15742009000200004