Ciberinterculturalidade, relações étnico-raciais e educação nas redes digitais

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Kelly Cristina Monteiro Martins
Alessandro Roberto de Oliveira

Resumo

Este artigo aborda a temática das relações étnico-raciais no ciberespaço e suas possibilidades como ambiente não formal de educação. O objetivo é discutir a interface entre educação, comunicação e tecnologia em uma perspectiva intercultural. Por meio de uma etnografia digital, a pesquisa acompanhou quatro influenciadores(as) negros(as) nas plataformas Twitter (atual “X”) e Instagram, a partir da viralização da hashtag #BlackLivesMatter, em maio de 2020, até a ascendência da hashtag #WakandaForever, em agosto do mesmo ano. Os dados sistematizados revelam uma intensificação dos debates sobre racismo e identidade negra e apontam potencial das redes como ambientes educativos promissores na luta antirracista. Ao mesmo tempo, deve-se levar em consideração os limites dessas plataformas, como a efemeridade e superficialidade das discussões e seu próprio caráter neoliberal que mantém a reprodução de padrões hegemônicos e facilita a disseminação de desinformação, o que pode ser negativo em termos de aprendizagem, urgindo a necessidade de uma alfabetização midiática.

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Como Citar
Monteiro Martins, K. C., & Roberto de Oliveira , A. (2024). Ciberinterculturalidade, relações étnico-raciais e educação nas redes digitais. EduSer, 16(1). https://doi.org/10.34620/eduser.v16i1.275
Secção
Artigos
Biografias Autor

Kelly Cristina Monteiro Martins, Universidade de Brasília

Mestranda em Educação na Universidade de Brasília na linha de pesquisa Educação, Tecnologias e Comunicação (ETEC). Pedagoga formada pela Universidade de Brasília. É integrante do grupo de pesquisa GEFI - Educação, Filosofia e Imagem. Bolsista pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Pesquisa as intersecções entre gênero, raça e classe e mídias digitais.

ORCID: https://orcid.org/0009-0008-8115-8905

Alessandro Roberto de Oliveira , Universidade de Brasília

Professor Adjunto no Departamento de Teoria e Fundamentos da Faculdade de Educação na Universidade de Brasília. Atua no Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais (MESPT) e no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE-UnB). Possui doutorado em Antropologia Social pela UnB. Suas pesquisas abordam os seguintes temas: conhecimentos ecológicos tradicionais e gestão territorial e ambiental em terras indígenas, cognição e ambientes de aprendizagem, interculturalidade e justiça cognitiva na educação. Pesquisador associado do Lact - Laboratório de Antropologia da Ciência e da Técnica - (Dan/UnB), do Grupo de Pesquisa Educação, Saberes e Decolonialidades (FE/UnB) e do GT - Técnica, Conhecimento e Poder da Associação Latino Americana de Antropologia. Atualmente realiza estágio de pós-doutorado no Programa de Antropologia e Educação do Instituto de Ciências Antropológicas na Universidade de Buenos Aires - UBA. Principais áreas de interesse: Teoria antropológica, Ciências Ambientais, Antropologia e Educação.

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