Dossier Temático: O papel das línguas no mundo: Dinâmicas linguísticas, literárias e culturais na construção das identidades
Publicada em 2026-02-03CHAMADA DE ARTIGOS
A ligação entre cultura, língua e identidade sempre atraiu a atenção de sociólogos, historiadores, linguistas e investigadores de diferentes áreas científicas. Sendo a língua fundamental para a comunicação humana, assume-se como uma necessidade para o ser humano: não só para a sua interação, mas também como um veículo da cultura que reflete a sociedade que a alberga e o(s) seu(s) universo(s) cognitivo(s) (Arslan et al., 2024).
Durante séculos, a construção da identidade prendeu-se com as fronteiras geográficas, com a luta de classes e de poder e a manutenção do statu quo, assim como as línguas têm desempenhado um papel incontestável na sociedade na definição e consolidação de identidades políticas, sociais e culturais. Se, por um lado, têm a capacidade resiliente de delinear fronteiras nacionais, por outro, conseguem abrir espaço para horizontes que rasgam essas fronteiras. A importância da língua como definidora de uma cultura identitária foi introduzida no século XVIII pelo filósofo alemão J. V. Herder que, em oposição aos desígnios cosmopolitas do movimento iluminista e como uma reação à discriminação de que a Alemanha (Baviera) era vítima, destacou o papel da língua, da etnicidade, de mitos e rituais passados e de outras especificidades culturais que distinguiam uma nação de outra. Esta abordagem determinou a supremacia política de muitas comunidades étnico-culturais e linguísticas minoritárias, contrariando o pressuposto da extensão territorial para a legitimação nacional.
O conceito de identidade tem-se desenvolvido desde a Revolução Francesa, assumindo um papel cada vez mais central nas ciências sociais e humanas, uma vez que está profundamente ligado à forma como os indivíduos e grupos sociais se percebem e são percebidos em diferentes contextos. Atualmente, encara-se a identidade não só como um conceito dinâmico, mas também multifacetado que já Hall tinha classificado em 1990 como uma produção “which is never complete, always in process, and always constituted within, not outside, representation” (p. 222). Por outro lado, “Identities are sets of meanings that define who we are in terms of the roles we have, the groups or social categories to which we belong, or the unique characteristics that make us different from others”, tal como Burke (2020) defende.
Desta forma, é inegável que a identidade se encontra moldada por vários fatores, sendo a língua, a literatura e a cultura elementos fundamentais nesse processo, que a tornam numa construção constante. A interação entre estas dimensões não apenas define a identidade individual e coletiva, mas também influencia a dinâmica social e histórica das sociedades atuais. Estas reflexões sobre o papel da língua e da cultura na construção da identidade levam-nos a colocar diferentes questões. Quem somos? Como somos? O que somos hoje não somos amanhã? Nem neste ou naquele local? Como somos representados nos diferentes discursos literários? Como é que a globalização interfere na construção da identidade? Que impacto terá a Inteligência Artificial na nossa futura identidade?
Neste contexto, e decorrente do VI Colóquio Internacional de línguas Estrangeiras, subjacente à temática Dinâmicas linguísticas, literárias e culturais na construção das identidades, a Revista EDUSER convida investigadores a submeter artigos que explorem criticamente estas interseções e que contribuam para o debate sobre as múltiplas formas de construção identitária nas Humanidades.
Aceitam-se contributos para o Dossier Temático que versem os seguintes tópicos (não exclusivos):
- Língua e identidade nacional: o papel das línguas maioritárias e minoritárias
- Política linguística e a influência das línguas na identidade cultural
- Globalização e influência das línguas maioritárias na identidade cultural
- Linguagem e poder: discurso, domínio e resistência
- Afiliações Cruzadas: A língua, a literatura e a cultura como Reflexo das Identidades
- Literatura como espaço de autoconstrução identitária
- Literatura e a perceção do Outro: a imagologia literária
- Identidade e memória cultural: patrimónios material e imaterial
- Cultura de massas e sua relação com o ensino de línguas estrangeiras
- Desafios de tradução na construção das identidades
- Reflexões linguísticas, semiolinguísticas e didáticas sobre o ensino das literaturas, culturas e línguas estrangeiras
- Ensino Superior: ética e a identidade da língua estrangeira na era da IA
Editores do dossier:
- Cláudia Martins
- Elisabete Mendes Silva
- Isabel Chumbo
- Alexia Dotras Bravo
- Ana Maria Alves
Prazo de submissão de artigos: 30 de junho
Processo de revisão cega por pares: até 30 novembro
Receção de versões finais: 31 de dezembro
Publicação: previsão março 2027
Línguas de publicação: português, inglês, francês e espanhol